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domingo, 28 de dezembro de 2014

Alma Perturbada

Escrita por: Iago Effting

Vou lhes narrar parte de minha vida, memórias de um antigo eu que se esvaia a cada segundo. Tenho medo de por aqui minhas palavras, já não estou mais sozinho, algo me observa e eu sei quem é, e logo, vocês também saberão.
Tudo começou em minha infância, eu era feliz quando criança, animado e sorridente, longe das sombras da infelicidade e angústia que hoje me atormenta. Costumava brincar de esconder com meu irmão, éramos inseparáveis, conosco tinha alguns colegas de classe. Brincávamos todas as tardes até o anoitecer, meu irmão era indiscutivelmente bom, nunca era encontrado. Nesta época eu tinha oito anos e meu irmão nove, éramos apenas criança querendo se divertir ao máximo.

Quando completei dez anos meu irmão me convenceu de me tornar mais duro, para me transformar em um verdadeiro homem. Logo comecei a tratar as pessoas de uma forma diferente. Acabei participando de algumas brigas, eu sempre apanhava, meu irmão saia ileso. Com cortes e roxos eu ia sendo arrastado para casa, minha mãe ficava louca.Meu Deus como você conseguiu andar até aqui, vou chamar seu pai! Meu irmão continuava a me segurar e falar ele está se tornando um verdadeiro homem nossa mãe ficava em silêncio.

Os anos se passaram, eu já possuía doze anos e minha mudança continuava, já não precisava que meu irmão falasse o que tinha de ser feito, brigava e humilhava todos que não gostava. Arrumei brigas por conta própria. Comecei a sentir algo diferente, algo bom. Com o passar dos dias esse sentimento ficou mais forte, muitas vezes parecia me controlar, já não lembrava com quem tinha brigado, nem o porque, apenas feria as pessoas sem remorso, sem pena.

Tentando de uma forma drástica que eu melhorasse, meus pais começaram a me privar de muitas coisas, me tiraram certos privilégios como de sair de casa e brincar com outros colegas, isso até a minha “fase” como eles se referiam a minhas brigas passar, mas eu ainda tinha meu irmão, ele sempre estava comigo, inventávamos muitas coisas juntos, era divertido, era feliz, era cruel...

Quando completei quinze anos mudei por completo, minha família tentou de tudo, me levaram ao psicólogo, ao médico e nada resolveu mas eu não estou doente! Gritava sem parar, me enfurecendo, já não conseguia olhar para meus pais, sentia raiva, quem mantêm o filho em casa por cinco anos sem poder sair! Meu olhar agora era de ódio, tudo que via me dava vontade de bater, quebrar, matar.

Ao completar dezoito anos minha família decidiu me levar para um hospício. Tentaram me convencer que seria melhor para mim, que eu não sabia que precisava disso, que não sabia o amor que eles tinham por mim e choro toda vez que me lembro de minhas ultimas palavras para eles. Esse lugar me enoja, vocês não merecem ser meus pais, vocês deveriam morrer! Nesta hora eu apaguei, tudo ficou escuro, mas sentia algo escorrendo em mim. Ao recuperar os sentidos me deparei com a cena mais horrível de toda minha vida, não pelo que fiz, mas sim pelo que não senti. Na minha frente estava meu pai e minha mãe abraçados, um olhar de terror em seus rostos e escorrendo de suas cabeças. Percebi que segurava algo, uma faca, uma faca muito grande coberta de sangue. Nada senti, nem remorso nem pena, nada, e hoje me desespero ao pensar nisso. Ainda olhando meus pais juntos vejo alguém no canto escuro da casa. Meu irmão estava lá, com um sinistro sorriso em seu rosto, fiquei encarando ele como se estivesse hipnotizado. Não demorou muito e a polícia chegou, provavelmente meus pais gritaram antes de eu... os matar. Logo um dos policiais me imobilizou, não reagi, apenas fiquei olhando meu irmão no canto da casa, rindo e pensei porque ninguém viu ele, ele está bem escondido como sempre?

Ao chegar à delegacia me levaram para interrogatório, fizeram diversas perguntas. Após duas horas eu finalmente pude perguntar o que me atormentava. O que aconteceu com meu irmão? Os detetives se olharam surpresos.Garoto, você não tem nenhum irmão e nunca teve. Meus olhos se arregalaram com tamanho terror, olhei ao redor zonzo e vi, no canto da sala, meu irmão dando uma sinistra gargalhada sem som, com um olhar diabólico em seu rosto e por fim disse a frase que hoje me perturba.

“Eu Apenas Observo O Caos Em Sua Alma Perturbada”
Veja Também A   Dança Macabra

fonte :http://www.contosehistoriasdeterror.com

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Artefato - Lendas Urbanas

Noites com nevoeiro são perturbadoras em qualquer lugar. Mas no bairro de Marsilac elas têm sempre uma pitada a mais de horripilante. O lugarejo fica numa área de preservação ambiental no extremo sul da capital paulista, já vizinha do litoral. A mata atlântica permanece intocada. Além de tudo, está localizada entre duas represas, a Guarapiranga e a Billings, o que contribui para que a região seja mais nebulosa ainda, devido aos vapores constantes.

Mas de forma especial, nesse dia em que Alexandre voltava da faculdade, quase não se conseguia ver um braço a frente dos olhos. O professor tinha segurado a turma um pouco mais, e sendo a instituição localizada mais ao centro da cidade, já passava muito da meia-noite quando chegou a Marsilac.

Alexandre orientava-se apenas pelos postes escassos nas laterais das ruas, e sabia que faltavam umas quatro quadras para chegar a sua residência porque já havia passado pelo prédio da escola municipal. Porém avistou uma silhueta estranha alguns metros à frente. Estacou, temeroso de que se tratasse de algum assaltante, mas no mesmo instante achou prudente continuar caminhando normalmente, pois em caso de ser bandido, ficar parado poderia denunciar uma falsa afronta.
Quanto mais se aproximava, percebia que não se tratava de um contorno humano. Tinha um formato ogival, e um aspecto de ser feito de metal. Tratava-se de um artefato de cor escura, próxima ao chumbo. Alexandre deu de cara com uma escultura bizarra. Nela havia inscrições muito estranhas, que se assemelhavam a desenhos. De inicio imaginou se tratar de ideogramas japoneses, mas os caracteres presentes ali eram mais elaborados, com formas mais triangulares.
O troço, ao ser tocado, dava a sensação de ter sido esculpido em alguma rocha desconhecida, porém, a perfeição geométrica da simetria parecia impossível ao homem. Um calor aconchegante parecia emanar do objeto, e os sentidos de Alexandre começaram a ficar entorpecidos. Não sabe se foi coisa da sua cabeça, ou um fato concreto: as inscrições começaram a ficar iluminadas por uma claridade branca, que foi ficando intensa, intensa...


Apenas acordava durante poucos segundos. Acho que seria mais correto dizer que “sonhava” durante poucos segundos. Se bem que os flashs que deslumbrava nesses pequenos recortes, se encaixavam melhor na categoria dos pesadelos.

Uns robôs... na verdade coisas que não sabe dizer se seriam metálicas ou compostas de um exoesqueleto hipersólido! Era para ser um hospital! Aquilo em que estava deitado era para ser uma maca! Mas era o ar! Ele estava levitando? Não poderia dizer, por que não formulava pensamentos, não articulava raciocínio. Mas os robôs/seres com armadura fraqueavam sua maca invisível. Na verdade, sentia que a força que o mantinha no ar provinha das criaturas. E logo desfalecia novamente.

Paredes com tubulações gigantescas. Sinais luminosos neon. E ao mesmo tempo estava dentro de uma estrutura que era muito mais caverna que outra coisa. Parecia que não possuía mais organismo. Era como se sua consciência flutuasse num ponto acima do corpo. E o desmaio o abraçava novamente.

Teria tomado um choque de alta voltagem? Sido eletrocutado em um poste? Alexandre não sabia dizer. E logo outro lapso no tempo, outro corte na sequencia dos fatos. O que mais tomava espaço no seu parco quadro de percepções era uma que lhe dizia que ele estava subindo quilômetros e quilômetros. Subia ao infinito e sentia-se leve. Por imensidões de camadas atmosféricas, nada havia entre si e o chão.

Mas o pior foi a cirurgia. Um pesadelo vivido no qual estava sendo operado. Mas nem isso era certeza, porque a concepção que se tem de uma cirurgia é de que seja algo no qual coisas são tiradas do corpo. Ele estava recebendo anexos, complementos. Uma fincada de dor num ponto distante do que deveria ser seu abdome. Puxa! Por um segundo parecia ter visto sua coluna vertebral banhada em sangue! Ainda bem que era um sonho... logo iria acordar. Desmaio.

Era um outro continente. Outro país. Mas não parecia nem um nem outro... um céu repleto de planetas!!! Não era possível ver planetas a olho nu... e eles estavam praticamente dentro da atmosfera, vindo, adentrando...visão horrenda! Pesadelo imenso sem fim! Alexandre queria que o desmaio viesse de novo, ansiava pela inconsciência, mas estava mais desperto que nunca. Em toda sua existência não tinha tido um sonho tão nítido assim. O artefato! Tudo isso foi o artefato!

O pesadelo (?) continuava e ele estava sendo apresentado a uma multidão reunida de monstros. Criaturas com muitos olhos ou orbes vazias. Tentáculos onde deveriam existir cabelos e cabeça. E aquilo que se poderia dizer couraça ao invés de pele, crescia por cima de placas de um metal escuro e opaco, trespassada por cabos/fios que estavam em uma espécie de curto-circuito ritmado. Tudo sugeria seres inicialmente biológicos, que foram substituindo as partes necrosadas de seus organismos por outras artificiais.

A convenção era uma espécie de ritual macabro high tech. Os seres abriram suas bocas e feixes de luz subiram ao encontro dos ares, unindo-se acima de suas cabeças formando uma egrégora energética verde contra um céu rosa. Da egrégora um feixe desceu sobre sua cabeça. Se bem que de fato não era mais sua cabeça, seu corpo, seus membros... quando tentou observar seus pés, o que viu, o que viu... bem, ele só pode dar um grito de desespero, mas no lugar do grito soou uma sirene vinda de dentro de tubos sintéticos.

A notícia foi parar na TV. Vários moradores da região de Marsilac alegavam ter visto. Uma criatura bizarra rondando a região. E parecia mostrar especial interesse por uma rua em particular. Uma certa casa...

Escrito por: Leandro Aparecido de Souza;
Histórias de Terror by Paulo Enrique Garcia is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Insônia - Conto de Terror

Escrita por: Artur Barros
Não deveria escrever, mas talvez, assim consiga descansar. Nunca senti tanto medo como agora. Talvez ninguém chegue a ler, e como qualquer outro papel, isso vá para o lixo. Não espero a piedade nem a pena de quem estiver lendo. Apenas esclareço o que aconteceu aqui, pois eu não ficarei para explicar. Não se pode mudar o que está feito, os motivos só interessam a mim, apesar de não sabê-los ao certo. Portanto, explicarei somente os fatos e não explicarei os porquês. A garota que encontrará no sótão é minha filha, espero que tenha o cuidado de arrancar o arame de seu pescoço antes de desamarrá-la da cadeira. Certamente, você irá concordar comigo que ela é muito bonita. 
A garota é muito parecida com a mãe, falecida há três anos. Para comprovar, deixei o retrato da minha querida Lucia, no colo da menina. Michele tinha dois 12 anos quando minha esposa foi atropelada. Era nossa única filha. Depois do choque da morte, veio o período de superação, o qual atravessamos muito bem, confiávamos muito um no outro. O seu primeiro aniversário sem a mãe foi o pior momento depois da tragédia. Encomendamos uma missa para Lúcia e choramos o dia inteiro. Não quis mais saber de outra mulher, nunca me acostumei com sua morte. Ah! Como queria ter morrido junto com ela, não teria que encarar todo este inferno! Começou uma semana depois do dia do aniversário da minha filha. Havia acabado de voltar do trabalho, minha casa estava toda apagada como de costume. Sentei-me na poltrona sem acender as luzes e acendi um cigarro. Liguei o rádio e, na estação, tocava a nossa música. A música que eu e Lúcia escutávamos! Falava de temas medíocres, como um amor não correspondido e traição. Mas a melodia era tão doce! Comecei então, a sentir o cheiro de sua pele, o toque de suas mãos; escutava seus passos, a sua voz! De repente escutei sua voz cantando no banheiro! Não era possível! A mesma música, a mesma voz! Ela não tinha morrido, estava apenas no banho! Cheguei à porta e comecei a escutar o doce som. A música parou depois de dois minutos e também a voz. A porta abriu e, o vapor do banheiro,trazia para mim o seu cheiro. Ah como eu fremia! A fumaça dissipou-se e estava pronto para agarrá-la em meus braços! Que sensação foi aquela? Medo? Susto? Somente fiquei paralisado! Toda a minha excitação sumiu junto com a fumaça! Era a minha filhinha! Era ela quem cantava a música e, sem entender nada, com a toalha envolta em seu corpo, cumprimentou-me com um beijo na bochecha e disse-me, rindo:
— Oi Pá! Não quis te assustar, vi o senhor dormindo e não quis te acordar!
Seu corpo molhado, seus cabelos... Ela realmente tinha crescido.
— Tudo Bem? Perguntou-me a garota.

Algo em minha fisionomia deve ter me denunciado. Tentei sorrir, mas o máximo que consegui, foi contrair os meus lábios grotescamente. Fingi um mal estar, tranquei-me em meu quarto, tomei dois calmantes e dormi.

Durante a primeira noite de sono, apesar dos calmantes, acabei acordando de madrugada. Fui ao banheiro, e ao voltar, percebi que a porta do quarto de Michele estava aberta. Decidi entrar no quarto para ver se a minha menina dormia bem. Desde o dia da morte de sua mãe, ela não deitava sem a luz acesa de seu abajur. Suas pernas estavam descobertas e era uma noite fria, sem acordá-la cheguei perto de sua cama, acariciei seu rosto e.ao cobrir suas pernas com o edredom que estava aos pés da cama, meus dedos resvalaram em sua macia pele. Senti um horrível frio na espinha e uma tremendo desespero. Sai de seu quarto e fui direto à cozinha. Abri uma lata de cerveja e a bebi rapidamente. Voltei ao meu quarto, mas a noite para mim já estava perdida. Por mais que eu me virasse e me mexesse, não conseguia descansar. Percebi que estava amanhecendo por causa da claridade que invadia meu quarto através das frestas da janela.

Exausto, tomei um banho gelado para acordar. Nesse dia nem acordei a minha filha para ir a escola, pois tinha medo de entrar em seu quarto . Enquanto esquentava meu café ela apareceu com o uniforme da escola. Já havia se trocado, porém estava atrasada para aula. Pediu-me que a levasse de carro, pois me culpava por não tê-la acordado e por isso ter perdido a hora. Um pouco contrariado, acabei cedendo e dando a carona. Lembro-me tão detalhadamente daquele dia! Na frente da escola beijei-a no rosto e lembro-me tanto daquele perfume... Depois de sair do carro, percebi que um garoto, usando o mesmo uniforme, segurou sua mão levou- a ao lábios e a beijou ternamente. Tentando disfarçar, minha filha olhou para mim, largou rapidamente a mão do rapaz, o qual parecia ser mais velho que ela, e entrou correndo para a escola. Percebi, porém que antes de entrar na instituição ela ainda deu um lindo sorriso para o rapaz, que correspondeu no mesmo instante.

Na minha frente! Não tinha respeito pelo pai?! A minha menina paquerando dentro da escola! Agarrei-me ao volante com tanta força, que minhas unhas cravaram na borracha! Os meus dentes rangiam e novamente o fantasma me assombrou. Vi Lúcia na frente do meu carro. Estava como no dia de nosso encontro, um vestido longo, os cabelos soltos, até o mesmo sapato salto-alto! Sorria para mim. Meus olhos encheram-se de lágrimas e gritei. De repente, de seus olhos começou a vazar sangue enquanto ela ria ensandecida em minha direção. Logo depois apareceu o mesmo garoto que havia pegado na mão de Michele. Ele aproximou-se da minha mulher a começou a beijá-la como um animal sedento. Os dois riam como loucos e apontavam seus dedos para mim. Fiquei tomado de um ódio tão profundo! Todavia, o sentimento foi substituído por um pavor incomensurável. Um frio inexplicável tomou conta de todo meu corpo. Sentia meu sangue correndo rapidamente para minha cabeça. Escutei um horrível zumbido. Tentei recobrar o autocontrole, porém conforme o medo desaparecia, uma terrível cólera surgia mais forte que a anterior. Mordi meus lábios até sangrarem. Tentava convencer-me de que tudo aquilo era mentira. Ela estava morta havia dois anos, não poderia ser real! Fechei meus olhos e com medo do que poderia ver ao abri-los, mantive-os assim por um bom tempo. Ao abri-los, a imagem já havia ido embora. E rindo de tamanha besteira, pensei:

“Isso é que dá! Não dorme à noite e fica sonhando acordado.”

Era um ciúmes sem sentido. “As garotas dessa idade sempre têm um paquerinha! Vê se entende e esquece a sua mulher! Ela já morreu, não é a sua filha!” Apesar de tentar me convencer com meus próprios argumentos, ainda assim me sentia inquieto. Liguei o carro, acelerei e fui ao trabalho para tentar me distrair. Passei a tarde inteira com a visão fantasmagórica de minha esposa e resolvi dar um fim nesse pesadelo.

Ao chegar em casa, fui direto ao meu quarto e abri o armário. Decidi pegar todas as roupas da falecida e jogá-las fora, pois estavam me consumindo. Precisava libertar-me das visões, portanto juntei-as todas em um saco de lixo e joguei-as para fora de casa. Pensei em jogar fora, também, suas fotos, mas seria doloroso de mais.

Cansado, preparei o jantar para Michele e fui dormir. Foi o melhor descanso, depois do desastre. Depois daquela noite, as coisas pareciam ter melhorado. Passaram três meses e as visões não vieram mais. Comecei a me acalmar, porém via a minha filha muito menos. Tudo parecia ir tão bem!

Como estava enganado! Decidi, um dia, pegá-la depois da aula, havia saído mais cedo do trabalho, portanto decidi fazer uma surpresa. Minha filha estava tão linda! Vi Michele correndo pelo portão. Que lindo sorriso! Foi uma das primeiras a sair, porém não tinha me visto ainda. Foi então que eu presenciei tamanha desgraça! Ela entrava em um carro totalmente desconhecido para mim. Entrava alegremente e com tamanha familiaridade, que tive vontade de sair do carro e espancá-la na frente de todos! Meu coração acelerava e comecei a chorar de ódio! Tal era o meu desespero, que as minhas mãos tremiam. Controlei, contudo, os meus sentimentos. Segui o automóvel, com medo do que eu poderia ver. Tive o cuidado de ficar sempre por volta de uns trezentos metros de distância do veículo. Assim que ele parou, decidi estacionar do lado oposto da rua em que estava o maldito carro. Michele estava agora na frente de uma bela casa branca, com um grande quintal, porém ainda estava dentro do automóvel. O que estaria ela fazendo lá dentro? E com que ela estaria? Decidi afastar de mim toda a suspeita maliciosa. Afinal de contas era a minha filha! A qual criei muito bem! No entanto, ao abrirem-se as portas, todas as minhas suspeitas confirmaram-se. Desceram do carro a minha filha e aquele moleque que a paquerava na frente da escola! Sem vergonha, já se encontrando a sós com rapazes! Aquele filho da puta querendo levar a minha filha para a casa dele! Era muito para mim! Há quanto tempo ela freqüentava aquela casa? No mínimo há dois meses. Como tinha coragem? Quis sair e trazê-la para o carro à força, porém a minha curiosidade era maior que a minha raiva e fiquei parado, escondido entre as árvores da calçada em que havia estacionado. A sua excitação era tanta, que Michele nem olhava para os lados, portanto eu nem me preocupava em ser descoberto. Como doeu ao ver a menina beijando a boca do rapaz, enquanto ele passava a mão em todo seu pequeno corpinho. O corpo que era meu! Ela era a minha filha! E ninguém tinha esse direito! Provavelmente ele a teria iludido. Uma garota tão nova... Elas são tão ingênuas! Apesar de toda a minha ira, não fiz nada além de observar. Foi uma questão de tempo até os dois entrarem na casa.

Entrei no carro e corri como louco até a minha residência. Não me preocupava com faróis, ou pedestres. Durante o percurso, atropelei um pequeno cão que atravessava a rua. Na verdade eu queria matá-lo! A minha raiva era imensa! Conforme eu me distanciava podia ouvir os ganidos do bicho! Não posso descrever a sensação que senti, ao compreender a gravidade do meu ato! Senti-me assustado, porém me sentia aliviado, como se eu tivesse passado toda a minha raiva para o animal. Deveria ter me jogado contra o primeiro poste! Não sofreria tanto! Teria evitado esse terrível sofrimento!

Depois disso, eu começo a não me lembrar muito bem dos fatos. Lembro de ter chegado em casa. E de ter dormido com Lúcia! Ela estava em casa quando eu cheguei. No quarto, ela me esperava. Estava toda nua abracei-a, beijei-a como nunca. Nem consegui dormir. A minha felicidade era imensa ela estava lá para me consolar. Acho que cochilei um pouco, olhei para o meu lado e ela não estava na cama. Procurei-a pela casa e encontrei-a no banheiro, usando seu belo vestido de noiva! Era a única peça que eu não havia jogado fora. Estava bela, dançando na frente do espelho. Um imenso ódio me invadia e eu não sabia o porquê. Era verdade! Ela havia me traído com um pivete, e eu vi! Entrou até na casa dele. E agora vestia-se de noiva, na minha frente. Não poderia agüentar tudo aquilo. Ela tinha que pagar pelo que fez! Me traiu! Pensava que eu não tinha visto!

Foi tudo muito rápido, lembro-me apenas de minha mão em volta de seu pescoço. E de algo fino e frio em minhas mãos. Ela tentava gritar, mas eu não escutava nada! Sentia-me exausto. Depois não me lembro de mais nada.
Acordei com uma tremenda dor de cabeça e, então, foi somente o horror! O mesmo que me persegue há dois dias! A minha filha está em meu quarto! O seu rostinho está preto. Ela está com o vestido de noiva de Lúcia! Não consigo mais suportar tamanho terror! E tendo expostos os fatos que nem eu mesmo entendo, tentei somente relatá-los.
Hoje conseguirei descansar! Comprei quatro caixas de raticidas, uma de cada marca diferente! Não consigo exprimir meu tamanho contentamento! Hoje conseguirei descansar e, em breve, encontrarei-me com minhas duas princesas!

Demônio Refugiado

Enviado por: Terroromaniaco
http://lojadocarlim.blogspot.com.br/Num dia escuro de Inverno, a neve caía torrencialmente, crianças brincavam fazendo bonecos de neve enquanto eu as apreciava, elas pareciam sorridentes e bastante felizes. Fiquei um pouco a apreciá-las, até que tive um pressentimento estranho, um pressentimento que me abalou e que me entristeceu, não conseguia explicar aquela sensação.


Enquanto tudo isto se passava, uma das crianças olhava-me com um ar terrífico e ria-se alto com gargalhadas demoníacas, eu não conseguia mais estar ali, então fui para casa.

Uns dias depois fui passear no bosque e de repente, á beira de um pinheiro muito antigo vi uma poça de sangue com um corpo no centro, eu hesitei em ir ver o que era, mas tinha de ir, não podia fugir, havia uma força espiritual qualquer que me obrigava a ir para lá.

Quando vi, era uma criança, era a criança que me olhara terrificamente, tinha os olhos amarelos e na sua barriga dizia escrito com sangue “Este é o corpo de Satanás, Maldito quem o encontra”, não fiquei aterrorizado, pois talvez nem tenha tido tempo para pensar, logo a seguir uma força estranha me invadiu e vi um vulto que pediu que fosse com ele, eu olhei para trás e vi-me deitado no chão com um ferro espetado na cabeça e na minha barriga dizia “Maldito”.



Veja também 
http://lojadocarlim.blogspot.com.br/2014/11/conde-dracula.html



Anatomia - Histórias de Terror


Dr. Frank era professor de universidade, homem da ciência e céptico a qualquer assunto relacionado à religião. “Se não esta provado pela ciência não existe”, dizia ele quando se via no meio de uma conversa sobre o tema.
Certo dia, saindo do seu carro quando chegou à universidade para sua aula noturna escutou uma voz:

“Dr. Frank?” – disse uma moça de uns 17 anos aproximando dele.
“Pois não?” – perguntou curioso para saber quem era aquela moça, definitivamente nenhuma de suas alunas, ele conhecia a todos por nome.

“Sou a filha da Marisa, sua colega de Yoga” – respondeu a moça com um belo sorriso. “Desculpa te incomodar, mas eu estou a ponto de prestar vestibular, sonho em ser médica mas não sei se tenho estomago, queria assistir uma de suas aulas de anatomia se possível.”

“Humm, esta bem, apesar de que não deveria permitir, estou somente prestando um favor a sua mãe.” – respondeu Dr. Frank já andando em direção ao prédio.

Caminharam por uns 5 minutos até chegarem à sala onde Dr. Frank iria dar sua aula.

“Olha, não atrapalhe minha aula, não faça perguntas e não fale nada. Senta nessa cadeira e assiste. Quando formos analisar corpos você pode chegar perto. Não quero me meter em encrenca por trazer você aqui.” – disse ele com ar sério.
O tempo foi passando, chegaram os alunos e a aula começou. Dr. Frank olhava a moça uma vez ou outra que parecia muito interessada na aula. Algum tempo depois pediu a dois alunos que tirassem dois corpos do freezer para que ele os demonstrasse um procedimento.

“Professor, tem dois corpos recém chegados aqui. São indigentes, encontrados pela policia alguns dias atrás, foram mortos a tiros, esta aqui o relatório. Ainda não foram usados para estudo.” – Disse o rapaz estendendo uma prancheta com a informação dos cadáveres.

Olhando o relatório o professor balançou a cabeça dizendo que sim.

Os dois alunos retiraram os corpos dos plásticos e os colocaram em cima de uma mesa. A moça se levantou e curiosa foi até os corpos.

“Dr. Frank, cuida de mim, por favor.” – disse ela tremendo, com olhar estranho e se aproximando do professor, que imediatamente foi falar come ela.

Ela se virou e saiu correndo da sala e ele atrás dela, quando alcançou o corredor não a viu mais. Se aproximou do vigia.

“O senhor viu para onde foi a moça que saiu da minha sala?” – perguntou Dr. Frank.

“Ninguém passou por aqui não senhor.” – respondeu o vigia intrigado.

“O moça que entrou comigo mais cedo para aula de anatomia”. – explicou ele.

“Me desculpa Dr. eu não vi ninguém entrar com o senhor”. – contestou o homem mais intrigado ainda.
Dr. Frank virou-se em direção à sala agarrando o celular do bolso. Selecionou o celular de Marisa, segundos depois alguém atendeu.

“Oi Marisa, é o Frank da aula de Yoga. Escuta, sua filha esteve aqui e pediu para assistir uma das minhas aulas de anatomia. Acho que ela não agüentou ver os cadáveres e foi embora chorando.” – contou ele a mãe da moça.

“Estranho, ela foi acampar com o namorado e deveria estar de volta somente amanhã”. – respondeu Marisa com ar preocupado.

“Bom, pode ter sido outra Marisa então, eu conectei com você primeiro, mas deixa pra lá, eu tenho ir que meus alunos me esperam.” – disse e já desligando o telefone. “Acampamento... sei, esses adolescentes”.

Ele voltou a sala onde os alunos já haviam começado a estudar os corpos, se aproximou da mesa para tomar a liderança da aula novamente. Sua feição mudou completamente, o terror tomou conta de seu corpo. “Para” – gritou Frank tirando a mão do rapaz que estava dentro do abdômen do cadáver. “Ela não é indigente, eu a conheço.” – disse ele aterrorizado.  Ali deitada na mesa de estudo com o tronco do seu corpo aberto, estava a filha de Marisa. Dr. Frank tremia da cabeça aos pés. Não sabia o que pensar, estava confuso e com medo pois aquilo era novidade para ele. Ele deu um passo em direção a porta, ali estava ela novamente. A brisa da noite tocou sua nuca e ele arrepiou. “Me devolve pra minha mãe.” – disse a ela com voz tremula.
Um segundo depois já não estava mais lá. Dr. Frank dispensou seus alunos, sentou-se onde supostamente estava a garota e ali ficou por horas pensando tudo, tudo o que ele não acreditava teria que reconsiderar.

A babá e o palhaço - Lenda Urbana


Susy chegou pontualmente às nove da noite na casa onde iria cuidar de duas crianças de três e cinco anos enquanto seus pais iriam a um jantar de negócios em uma cidade vizinha.

Depois de dar as explicações para o casal saiu da casa deixando Susy com as crianças que já haviam ido deitar-se, o que evitou que ela conhecesse as crianças ou seu quarto.
Algum tempo depois ela escutou choro de crianças no andar de cima onde ficavam os quartos e foi lá ver o que era. Chegando lá encontrou as duas meninas chorando muito.
“O que foi?” – perguntou Susy.
“Eu não gosto de palhaços.” - disse uma delas estendendo a mão para um canto do quarto.

Susy levou um susto ao ver um boneco de palhaço do tamanho de uma pessoa adulta. Segundos após recuperar do susto ela também ficou com medo, pois aquele boneco era muito assustador. Pensou por que os pais deixariam um boneco tão feio no quarto das meninas. Ela sentou e cantou canções para as duas até elas voltarem a dormir. Depois disso voltou para o primeiro andar da casa e foi assistir televisão.

Um estouro acompanhado do choro das meninas minutos depois alertou novamente a babá. Ela correu para o quarto onde as meninas encontravam-se chorando da mesma maneira de ante.

“Vocês tem que voltar a dormir. Ainda estão com medo do palhaço?

“Ele estourou um balão pra nos assustar.”

Susy olhou para o chão e viu o balão estourado, uma agulhada no estomago a deixou preocupada. Ela olhou para o palhaço uma vez mais e pensou que ele estava em outra posição da primeira vez que ela o viu. Ela também ficou com medo e disse para as meninas que iria pedir para os pais virem embora. Desceu as escadas e pegou o telefone que estava na parede, mas estava sem linha. Foi até sua bolsa, pegou o celular e digitou o numero deixado pelos pais das crianças, a mulher atendeu.

“Oi aqui é a Susy, eu estou ligando porque as meninas estão com muito medo. Eu queria saber se eu posso tirar ou cobrir aquele boneco de palhaço gigante lá no quarto delas.”< “O que? Nós não temos nenhum boneco de palhaço em casa.” Somente ai Susy deu-se conta que não mais ouvia o choro das crianças e saiu em disparada para a escada. O suor frio descia pela sua testa, seu coração disparado e a boca seca deixam clara a sensação de pavor que ela sentia naquele momento. Cada degrau da escada parecia ter quilômetros, pois ela queria ver as crianças e saber se estava tudo bem. A única coisa que a mãe da criança escutou foi um grito e o telefone caindo no chão. O casal voltou para casa imediatamente e quando chegaram encontraram as duas crianças e a babá mortas. Todas tinham seus rostos pintados de palhaço e um balão de hélio amarrado no braço.
Histórias de Terror by Paulo Enrique Garcia is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Igreja Assombrada - História de Terror

Alguns anos atrás quando eu tinha 18 anos, me mudei para salvador com a minha família, pois meu pai havia sido transferido pela empresa onde trabalhava. Alguns dias depois voltando do colégio eu vi um cartaz na porta da igreja dizendo que precisavam de zelador e decidi me candidatar à vaga. Depois de conversar com o padre ele decidiu me dar uma chance e eu comecei no mesmo dia, meu turno seria das três da tarde até as nove da noite, a igreja fechava as sete então eu tinha duas horas para limpar o chão e os assentos.

No meu segundo dia coisas estranhas começaram a acontecer e eu fiquei muito assustado. Eram umas oito da noite e o padre havia ido jantar na casa de um amigo, eu fiquei sozinho na igreja terminando a limpeza. Eu fui até o armazém da igreja buscar alguns produtos e quando voltei para minha surpresa havia uma mulher vestida de luto ajoelhada em um dos assentos e estava chorando. A principio eu pensei que tinha deixado a porta aberta então fui me aproximando para falar com ela.

“Desculpe senhora mas a igreja já esta fechada, a senhora pode voltar amanhã as sete da manhã que ela já vai estar aberta.” – disse eu à mulher que continuou com a cabeça baixa e chorando.

Vendo o estado da mulher eu a deixei ficar por ali e quando eu fosse embora eu pediria que ela saísse comigo. Continuei limpando e acabei esquecendo a mulher até que escutei passos na igreja, quando eu olhei para a direção de onde vinha eu não vi nada e a mulher já não estava lá. Eu corri para a parte de atrás da igreja, onde tinha escutado os passos, por que pensei que ela tinha ido pra lá. Quando eu cheguei não tinha ninguém, então voltei ao saguão de missas chequei todas as portas da igreja e todas estavam trancadas.

“Onde esta meu filho?” – escutei uma voz vinda do altar.

Eu olhei e não tinha ninguém, só vi um vulto andando e desaparecendo. Com medo, eu saí correndo da igreja e acabei topando com o padre na porta. Ele estava muito abatido, perguntei o que era, ele me falou que sua mãe tinha falecido momentos atrás e ele veio se preparar para viajar para cidade onde ela morava. Ele entrou na igreja e eu fui atrás para ajudá-lo. A mulher estava outra vez ajoelhada no banco, quando passamos por ela o padre a ignorou totalmente e ela me olhou tirando o véu negro que cobria seu rosto. O terror tomou conta de mim, a mulher estava pálida e chorava muito. Eu decidi não dizer nada para o padre com medo que ele pensasse que eu estava fazendo uma brincadeira de mau gosto. Eu fiquei apavorado, queria sair da igreja mas não queria deixar o padre sozinho. Ele começou a fazer a mala e tirou uma foto da cômoda e me mostrou, meu sangue gelou novamente, a mulher na foto era a mesma que chorava na igreja.

“Esta era a minha mãe, eu tirei a foto quando me transferiram para esta cidade, ela sempre pedia para que eu fosse visitá-la, mas como eu sempre estava ocupado aqui nunca fui. Agora ela faleceu e eu nunca mais vou vê-la.” Disse o padre com a voz tremula.

O padre foi para o enterro da mãe, por dois dias trabalhei somente de dia enquanto a igreja estava aberta, e quando o padre finalmente regressou, eu pedi demissão. Igreja agora eu só vou aos domingos, mas ainda morro de medo, vai ver que a mãe do padre ainda o está vigiando do além.
Histórias de Terror by Paulo Enrique Garcia is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

Casa mal assombrada - História de Terror

Eram duas e meia da manhã quando Levi, Antônio e Arnaldo andavam pelas calçadas sujas de sua cidade. Estavam vagando a mais três horas sem nada pra fazer, Levi odiava fazer isso, preferia estar em casa assistindo TV e comendo, mas sempre acompanhava os amigos porque não gostava de ficar sozinho. Chegaram à antiga estação de trem da cidade que já desativada havia muitos anos.

“Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar” – pediu Levi tentando não parecer aterrorizado.

“Deixe de ser medroso” – respondeu Arnaldo. “Vamos até a casa abandona da colina e dar uma olhada, estou precisando de uma aventura.” – completou ele com a voz excitada.

Antônio riu e começou a andar em direção a casa, os outros dois o seguiram. Chegaram ao portão de entrada e olharam aquela imensa construção, era linda e tenebrosa ao mesmo tempo.

Os três jamais viram alguém morando naquele lugar, o dono da propriedade a trancou a mais de cinqüenta anos e não voltou mais, nunca vendeu ou alugou. Os moradores da região até evitavam passar perto com medo, diziam que o lugar era assombrado.

Anos atrás o filho do prefeito daquela cidade estava se casando com uma moça que morava ali. No dia do casamento, a melhor amiga da noiva a levou para a casa do prefeito dizendo que queria mostrar-lhe algo. Chegando lá elas sobem até o quarto onde o noivo dormia e o encontram na cama com outra mulher. Em um momento de desespero a noiva desce até a cozinha pega uma faca e mata o noivo e a amante. Momentos depois, ela não conteve a agonia e enfiou a faca em seu coração. Supostamente os fantasmas dos três ficaram na casa onde diz à lenda que o fantasma da noiva tortura os outros dois.

Arnaldo foi o primeiro a entrar, pulou o portão e foi em direção a casa. Olhou para trás e viu os outros dois pulando também e continuou até chegar à porta. Levi ficou parado no meio do caminho.

“Eu não entro ai, estou sentindo mal, alguma coisa me diz que agente deveria ir embora.” – disse o rapaz com voz tremula.

Os outros dois não deram importância. Voltaram-se para casa e olharam pela janela. Eles se espantaram porque podiam ver muito bem o que tinha dentro da casa somente com a iluminação da lua que entrava pelas janelas. A sala de entrada era enorme e toda a mobília parecia estar lá, porem coberta com lençóis.

“Opa, a porta da frente esta aberta.” – Disse Antônio já abrindo a porta.

Os dois entraram, o lugar era lindo, descobriram alguns móveis e viram que estava tudo intacto, parecia que alguém estava cuidando de tudo. Antônio decidiu subir para o próximo andar e ver se achava algo interessante. Arnaldo foi ver outro cômodo. Momentos depois Arnaldo escuta Antônio descendo as escadas.

“Vamos embora, Levi esta nos esperando lá fora.” – Gritou Arnaldo para que seu amigo pudesse escutá-lo.

Antônio não respondeu, Arnaldo se virou para ir até a saída e deu de cara com alguém, não pode ver quem era porque a luz vinha de trás da pessoa então só via a silhueta. Uma coisa ele tinha certeza, estava vestida de noiva. Seu corpo congelou então ele riu tentando disfarçando o susto.

“Muito boa essa Antônio, quase me mata de susto. Vamos embora, já tive muito pra uma noite, esse lugar esta me dando arrepios.” – disse Arnaldo irritado.

Antônio continuou calado. Arnaldo ficou inquieto olhando o suposto amigo e começou a andar em sua direção, a silhueta também se movia ao seu encontro. Algo mudou na visão de Arnaldo, parecia que a silhueta puxou uma faca de lado e ele começou a ficar preocupado e parou de andar.

“Brincadeira tem limite Antônio.” – gritou ele.

A silhueta também parou de andar, a luz da lua iluminou seu rosto e Arnaldo gritou. A imagem o aterrorizou e ele se arrependeu de ter entrado na casa. Ali na sua frente estava o fantasma da noiva, seu rosto podre e olhos vazios não expressavam sentimento e mesmo assim ele sentiu que ela o ia matar.

“Antônio!” – foi a única coisa que ele conseguiu gritar, pois o terror o mantinha congelado e sem ar.

Antônio desceu as escadas rapidamente, quando viu a cena correu direto pra porta gritando. A porta estava trancada, ele a esmurrava, chutava e puxava, mas ela não abria. Levi estava bem perto, mas parecia que não via ou escutava nada. A noiva não deu muita atenção a ele e continuava a encarar Arnaldo que por sua vez correu para ajudar o amigo com a porta.

“Você pensou que iria escapar de mim por toda eternidade querido?” – disse o fantasma se aproximando dos dois.

A noiva agarrou Arnaldo pelo cabelo e apunhalou no coração. O rapaz ficou agonizando por um tempo enquanto Antônio fazia sua última oração.

“Some daqui você não tem nada a ver com esse traste.” – disse a noiva enquanto abria a porta.

“Não, por favor Antônio” – gritou Arnaldo.

Antônio se espantou ao ver o espírito de Arnaldo sendo segurado pela noiva. Escutou um barulho do outro lado da sala e viu o fantasma de outra mulher que parecia estar sofrendo muito. Lembrou-se da lenda daquela casa e então entendeu que seu amigo era a reencarnação o noivo que de alguma maneira teria escapado da tortura eterna.

Ele correu e levou Levi embora com ele. Contou a história a todos mais ninguém acreditou. O corpo de Arnaldo nunca foi encontrado pela policia que vasculhou toda a casa e os arredores. Antônio foi internado em um hospício alguns meses depois, dizia estar sendo assombrado pelos três fantasmas. E quanto a casa, continua lá, sozinha e sombria, talvez esperando sua visita...